SUGESTÕES DE NATAL: MÚSICA E LIVROS PARA SURPREENDER

Os álbuns de música e livros são as prendas mais comuns desta época, mas, no entanto, sempre bem recebidas e bem apetecidas. Aqui ficam algumas sugestões de livros e álbuns que poderá oferecer neste Natal e, assim, surpreender pela positiva.

LIVROS:


O Caminho Imperfeito

de José Luís Peixoto

As suas várias passagens pela Tailândia servem de base para o livro. Mas não só deste país se trata, temos também Las Vegas ou o sempre presente Alentejo da sua infância.O livro faz-se de episódios vários, uns insólitos, outros divertidos e outros ainda que nos interpelam. Temos aqui exuberância e exotismo mas também muita intimidade, tudo com o estilo habitual deste autor.


A ESTRADA SUBTERRÂNEA

De Colson Whitehead

Prémio Pulitzer, National Book Award, Indies Choice Book Award, Andrew Carnegie Medal for Excellence, Finalista Do Booker prize.
Colson Whitehead marcou muitos pontos com este romance à volta da escravatura nos Estados Unidos. A fundação da nação com base na escravatura e no extermínio dos povos indígenas, o racismo e as suas sequelas no país ainda na actualidade, são estas algumas das questões focadas neste romance onde acompanhamos Cora, uma escrava, na sua fuga.Entre as muitas peripécias que esta vai vivendo há muito medo e dor mas também muita fé e esperança. Uma viagem por alguns estados, sendo uns abolicionistas e outros esclavagistas mas tendo todos em comum a grande dificuldade que é a vida para aqueles que são diferentes.


ATOS HUMANOS

de Han Kang

Atos humanos é o segundo livro da escritora Han Kang a chegar a Portugal-o primeiro foi o premiado A Vegetariana. O livro tem como ponto de partida o massacre de maio de 1980 que aconteceu na Coreia do Sul após o assassinato do seu presidente. O horror é-nos trazido por Dong-ho um dos estudantes envolvidos na revolta contra a ditadura e uma das suas inúmeras vítimas. A violência sofrida marca para sempre, não se apagando com o tempo ou a mudança de circunstâncias.Apesar da violência , novamente um livro maravilhoso desta autora a manter debaixo de olho.


PARA LÁ DO INVERNO

de Isabel Allende

Isabel Allende parte da célebre frase de Albert Camus para nos apresentar um conjunto de personagens próprios da América contemporânea que se encontram «no mais profundo inverno das suas vidas»: uma mulher chilena, uma jovem imigrante ilegal guatemalteca e um cauteloso professor universitário. Os três sobrevivem a uma terrível tempestade de neve que se abate sobre Nova Iorque e acabam por perceber que para lá do inverno há espaço para o amor e para o verão invencível que a vida nos oferece quando menos se espera. “Para lá do Inverno” é um dos romances mais pessoais da autora: uma obra absolutamente actual que aborda a realidade da migração e a identidade da América de hoje através de personagens que encontram a esperança no amor e nas segundas oportunidades.


O GIGANTE ENTERRADO

de Kazuo Ishiguro (Prémio Nobel da Literatura 2017)

Tudo se passa há muitos, muitos anos, num local de fronteiras bem diferentes das actuais e marcado por grandes extensões de solo árido. Nalgumas zonas, os aldeões viviam em abrigos, parte dos quais cavados na encosta dos montes, ligados uns aos outros por passagens subterrâneas. Era num sítio assim que habitava o casal de idosos que tem lugar central nesta história: Axl e Beatrice. Um dia os dois decidiram ter chegado a hora de procurar o filho que há muito não viam e de quem pouco se recordavam. Naquele tempo longínquo esta era uma viagem que, previsivelmente, traria perigos. Mas aquela proporcionou muito mais do que isso. Uma amnésia colectiva parecia ter-se instalado naquela zona, como uma névoa que descera à terra para fazer esquecer em parte o passado, individual e colectivo. Mas a viagem de Axl e Beatrice revela-se um regresso à lembrança. E esta nem sempre deixa um rasto feliz.Esta é uma história sobre memórias perdidas, amor, vingança e guerra. É ainda uma história que recua ao passado, transportando o leitor para terrenos percorridos por cavaleiros do rei Artur e monges, ogres e dragões. Um dragão em particular – Querig – é o foco das atenções. E, em relação a ele, as missões dividem-se. A diferença entre poupá-lo ou tirar-lhe a vida pouco tem de fantasia. Depois de dez anos sem publicar ficção de fôlego, Ishiguro apresenta-se agora com uma história inesperada que, por certo, fica na memória.

MÚSICA:


LIVE AT POMPEII – DAVID GILMOUR

Em 2015, David Gilmour decidiu dar uma série de concertos em salas históricas pelo mundo fora. No ano seguinte, tornou-se no primeiro artista a actuar no anfiteatro em Pompeia perante um público ao vivo desde os gladiadores em 79 d.C. Foi um regresso a Pompeia para David Gilmour, que já tinha lá actuado em 1971 para o lendário filme do concerto “Pink Floyd Live At Pompeii” de Adrian Maben. Nos tempos romanos, o anfiteatro de Pompeia era conhecido como o “Spectaculum” e David trabalhou com o colaborador de longa data e maestro de cor e luz Marc Brickman para proporcionar espectáculo novamente no Spectaculum” – Polly Samson, 2017. A 7 e 8 de Julho de 2016, David Gilmour deu dois magníficos concertos no lendário Anfiteatro de Pompeia, aos pés do Monte Vesúvio, 45 anos após a primeira vez que tocou no local para o filme clássico de Adrian Maben, Pink Floyd Live at Pompeii. Os concertos foram as actuações alguma vez realizadas perante uma audiência no antigo anfiteatro romano construído em 90 a.C. e que ficou sepultado no meio das cinzas após a erupção do Vesúvio em 79 d.C. David Gilmour foi o único artista a tocar na arena desde a época dos gladiadores, há quase 2000 anos atrás.


ATÉ AGORA – DIABO NA CRUZ

Numa altura em que se prepara um novo ciclo na vida de Diabo na Cruz, é tempo de olhar para o que foi feito até agora. Nesta caixa cabe a discografia essencial de uma das bandas mais essenciais da música portuguesa contemporânea. Discos há muito esgotados e procurados voltam a ver a luz do dia numa edição que agrupa os três álbuns de estúdio – Virou! (2009), Roque Popular (2012) e Diabo na Cruz (2014) – mais o EP Combate (2010). São três discos de personalidade vincada, que demonstram uma paixão pelo território, pela cultura e pelo sabor da língua portuguesa. Beberam de referências anglo-saxónicas, quiseram provocar ideias saloias, procuraram os prazeres proibidos da pop e encontraram a alegria num país condenado a tristes fados. Erguida nos ombros do legado da música portuguesa, esta é música do século XXI capaz de dizer algo de novo sobre as pessoas que o povoam, com o dom de digerir o mundo através do corpo de uma canção. Os Diabo na Cruz transpiram música, fazem dela o que querem e com isso mudaram o mundo. Ou pelo menos o mundo dos muitos que com eles cantam, dançam e frutificam as suas canções. Concerto a concerto, canção a canção, estão hoje num lugar que só a eles pertence, livres para ser o que quiserem.


Nat “King” Cole & Me – Gregory Porter

O cantor Gregory Porter, vencedor de 2 Grammys, acaba de lançar o seu novo álbum, “Nat ‘King’ Cole & Me”, um tributo ao lendário Nat ‘King’ Cole, com o selo discográfico da Blue Note Records. Com a ajuda do arranjador Vince Mendoza, vencedor de 6 Grammys, e da London Studio Orchestra, Porter revisita alguns dos clássicos mais célebres de Cole, como “Smile”, “L-O-V-E”, “Mona Lisa”, “Nature Boy” e “The Christmas Song”.


NOME PRÓPRIO – ANA BACALHAU

Chega agora às lojas o primeiro álbum a solo de Ana Bacalhau, “Nome Próprio”. O álbum teve produção de João Bessa e Ana Bacalhau e foi masterizado nos estúdios de Abbey Road, em Londres. Samuel Úria, Jorge Cruz, Nuno Prata, Afonso Cruz, Nuno Figueiredo, Capicua, Márcia, Carlos Guerreiro e Francisca Cortesão são alguns dos compositores desafiados por Ana Bacalhau para este seu primeiro álbum solo. Na gravação do disco, a cantora contou com a preciosa mestria de Luís Figueiredo (piano, teclados), Luís Peixoto (cavaquinho, bouzouki, banjo), Zé Pedro Leitão (contrabaixo, baixo), Alexandre Frazão (bateria, percussão), Mário Delgado (guitarra eléctrica) e Amadeu Magalhães (cavaquinho).


FILMOGRAFIA COMPLETA DE MICHEL GIACOMETTI

Michel Giacometti nasceu para contar histórias. Mas as suas histórias não são ficcionadas. São a história de um povo que já desapareceu. Histórias documentadas na série (9 Livros+DVD), produzida e exibida pela RTP entre 1970 e 1974, com realização de Alfredo Tropa; os 2 episódios da Série Etnográfica “Rio de Onor” e “Alar da Rede” (livro + DVD); “Ladrão do Sado” (1 Livro + 2 CDs) e “Uma Longa Militância” (1 livro + CD). Um dos filmes, “A mulher da roda”, gravado nas margens do rio Zêzere, venceu em 1973 o grande prémio do Festival Etnográfico de Florença (Itália). Mais do que uma simples edição “Michel Giacometti – Filmografia Completa”, é um verdadeiro tesouro do património imaterial português.

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